RAP, COMUNICAÇÃO POPULAR E INFORMAÇÃO: PRÁTICAS INFORMACIONAIS EM UMA PERSPECTIVA CONTRA-HEGEMÔNICA

  • Autor
  • Letícia Gomes de Oliveira
  • Resumo
  • Este resumo apresenta a proposta de pesquisa que será desenvolvida no mestrado no PPGCI/UFMG em 2026, voltada a investigar como a cena do rap brasileiro, especialmente em Belo Horizonte, mobiliza práticas informacionais que podem ser compreendidas como processos decoloniais de produção e circulação de saberes. Parte-se da premissa de que o rap constitui uma forma de comunicação popular capaz de revelar perspectivas periféricas historicamente apagadas. Nesse sentido, as letras e vivências do rap funcionam como modos de compreender a cidade e o cotidiano “desde o avesso”, como aponta Dietzsch (2006), oferecendo narrativas que desafiam representações hegemônicas e produzem leituras críticas do espaço urbano.

    A pesquisa assume práticas informacionais como interações sociais vinculadas às experiências de vida e às relações coletivas, conforme discutido por Araújo (2013, apud Melo, 2021). Nessa perspectiva, sujeitos envolvidos na cena do rap (MCs, produtores, ouvintes e participantes das rodas culturais) constroem e compartilham saberes que emergem de suas próprias trajetórias, necessidades informacionais e estratégias de sobrevivência, de acordo com o paradigma social da Ciência da Informação enfatizado por Nunes & Carneiro (2018). Ao tratar essas práticas como processos sociais e culturais, busca-se compreender de que maneira a produção musical do rap se articula à construção de identidades, à reivindicação de direitos e à leitura crítica das desigualdades estruturais.

    O pensamento decolonial oferece o arcabouço para compreender como esses saberes tensionam epistemologias já cristalizadas. Reis & Andrade (2018) destacam que a perspectiva decolonial desestabiliza modelos de conhecimento moldados pela colonialidade e valoriza epistemologias produzidas por grupos historicamente marginalizados. O rap, nesse sentido, opera como instrumento de resistência informacional, permitindo que sujeitos periféricos definam suas próprias narrativas e referências, rompendo com modelos centralizados de autoridade do saber.

    A pesquisa também se apoia na noção de mediação e regimes informacionais de González de Gómez (2002), compreendendo que a circulação de saberes na cultura hip-hop é atravessada por questões sociais e processos de ressignificação. As rodas culturais e batalhas de MCs são entendidas como ecossistemas informacionais dinâmicos, nos quais práticas de criação, troca e apropriação do conhecimento acontecem de maneira não institucionalizada, como apontam Souza & Blanco (2024). Esses ambientes não apenas socializam informações, mas produzem letramentos críticos, fortalecem identidades e ampliam a agência política.

     

    Espera-se, com este estudo, evidenciar como o rap funciona como campo de produção de conhecimento enraizado na experiência periférica, articulando práticas informacionais que desafiam estruturas coloniais e hegemônicas. Ao reconhecer o rap como espaço legítimo de produção e circulação de saberes, a pesquisa contribui para ampliar o escopo da Ciência da Informação, valorizando epistemologias periféricas e práticas culturais frequentemente invisibilizadas.

  • Palavras-chave
  • Rap brasileiro; Comunicação popular; Práticas informacionais; Epistemologias periféricas
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 2 - Comunicação popular, alternativa e comunitária
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